Alcatéia
 

 
Toca das Lobas, as mulheres que correm com os Lobos. Grupo de mulheres unidas pelo desejo de liberdade e de colocar em prática seu potencial criativo. O núcleo das Lobas é pernambucano, mas já há frutos em outro grupo na Amazônia.
 
 
  consciência do corpo
moidsch
correndo com lobos
 
 
26.8.03
 
Algo sobre Gabi ou
"Alegremente conciente de el significado de abundancia"

Contamos neste encontro com a presença de uma figura lindíssima: Gabriela. Uma argentina pequenina por fora, mas muito grande por dentro. Ela nos trouxe um pouco da filosofia de viajante, de quem abriu mão da vida burguesa, da angústia do consumo desenfreado, de quem encontrou na arte e no trabalho social a força para entender quão relativo é o significado da abundância. A felicidade não tem nada a ver com uma coleção de vestidos!
Aguardamos que nossa linda Loba errante escreva sobre sua filosofia para nosso blog.

Gabi fotografada por André Dib:

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Marte espreitava nossos uivos

Marte, o planeta da força de vontade e do impulso, brilhava forte para além da janela da Loba Kitty. Nove Lobas se encontraram para discutir o capítulo 3 de Mulheres que Correm com os Lobos. O grupo está neste capítulo desde abril último. Este é um texto muito forte, cujo aprendizado das palavras que contém implica em colocar em xeque as regras estabelecidas para a ação da mulher na cultura ocidental. O resgate da intuição como iniciação, subtítulo do capítulo, aponta para a utilização do sexto sentido como ferramenta fundamental para a (sobre)vida da mulher diante da ameaça do mundo real, do desconhecido, depois da morte da mãe-boa-demais.
Passos importantes percorridos por Vasalisa no momento da sua evolução são:
a descoberta da intuição,
a definição de objetivos que impliquem no exercício do risco (não o calculado, mas o risco real, capaz de gerar resultados também incalculados e originais),
aprender a escutar a voz d'alma,
encontrar-se com a alteridade,
manter-se apaixonada (!),
distinguir as respostas certas para as perguntas necessárias,
deixar morrer e deixar viver,
perceber limites e talentos,
acreditar no próprio poder e
superar a dor de saber.

Envolvidas, como estamos, num caso tão próximo e sério de violência sexual contra a mulher, não poderíamos deixar de começar o encontro com discussão sobre o quão injusto é vivermos sob a mira de agressores e ainda sermos julgadas pelas saias curtas, pelos seios livres debaixo de vestidinhos leves, pelo rebolado, pelo horário de chegar em casa, pela poesia que distrai nossas mentes enquanto andamos e nos impede de distinguir bandidos de não-bandidos.
Quando uma mulher é estuprada, todas nós sentimo-nos violentadas.

Piquenique armado na sala, a Loba Cláudia sugeriu uma tarefa a fim de que percebêssemos um momento da vida em que nos sentimos de pé nas quatro patas. Seria um poema coletivo. Assim foi feito:

Atingir o inatingível

Chegando ao sucesso

Cultivar o desprendimento

Manter-se original

Alegremente conciente de el significado de abundancia*

Abundância bem-vinda à vida
de justiça e amor
Do tempo bem aproveitado conciso

Saio do meu casulo, desdobro minhas asas amarelas
Encontro meus ossos e minha alma
e encaro o mundo de frente

Vacilo, hesito, persisto
minha força me impele, às vezes me impede
chegar ao ponto, reiniciar. Seguir buscando o belo, o que quero, fazer-se ao longo do caminho. Cada tarefa um pretexto. Sigo meu curso. Sou rio, deságuo nas águas claras e calmas.
Quando chego ao final. Recomeço.
Vida-morte-vida.

*em castellano, no original.

Cada uma falou sobre seu verso/estrofe. Foi um belo exercício!
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Loba de papel

Receita de origami.
Loba estilizada, simples e fácil de fazer.



Escolham suas cores e brilhos e divirtam-se!
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24.8.03
 
A gente se acostuma para poupar a vida, mas não devia

O aprendizado e o despertar da Mulher Selvagem exigem a percepção nossa de como e quando tivemos garras aparadas, pelo tosado, uivo tornado fala, pensamentos (com)(in)(de)formados.
Lembro com muita clareza de como Marina Colasanti veio parar em minhas mãos. As diversas Marinas, que dizem coisas quase tão diversas quanto as que sentimos. Mas lembro especialmente de um texto que um grande amigo, mesmo que de encontros bissextos, mandou dentro de uma carta: "Eu sei, mas não devia".
Dali pra diante, parece que um marco teórico passou a embasar minha dificuldade de adaptação a tudo o que me incomoda. Não estou querendo dizer com isso que sou uma rebelde e que sempre consigo driblar os predadores da minha psique, do meu corpo e do meu espírito. Queria eu! Mas nem sempre percebo suas barbas azuis a tempo de evitar dias-meses-anos sem respirar.
Quando, porém, se esclarece o incômodo, a insatisfação, a agressão contra meus objetivos, idéias, necessidades, limites, talentos, ..., é hora de gritar. No mínimo, é hora de começar a repetir: não me conformo e vou mudar essa situação! Se a mudança não estiver na minha mão, grito do mesmo jeito e não abro mão de me manter inconformada!
Detesto passar todas as horas de sol no escritório!
Ar-condicionado provoca minha rinite!
Caras autoritários, insensíveis e metidos a merda não vão mais por a mão em mim!
Não assisto a cinemão americano com final feliz!
Paulo Coelho é a escória das publicações brasileiras!

Meu filho é um belo exemplo dessa capacidade de se manter uma opinião firme. Todos os dias, assim que acorda, ele pergunta porque não pode estudar à tarde. Imaginem um menino mal-humorado e eis Kiichi às 7 da manhã. E, todos os dias, eu respondo que não há 2a. série no colégio dele no turno da tarde e que não vou tirá-lo de lá porque é o melhor da cidade. Taurino, ele bufa e levanta irado e ainda pergunta porque estou tão bem-humorada àquela hora da manhã. Eu dou risada e digo que se não fosse assim, não nos suportaríamos.
Admiro a capacidade dele para se manter firme nesta posição durante tantos anos. Reafirmando-a a cada dia: não suporto dormir e acordar cedo! Assim que ele puder decidir sobre seus próprios horários, certamente vai acordar e dormir na hora em que bem entender.

Diante do que incomoda, o importante é não se perder daquilo em que a gente acredita, daquilo que realmente importa, da essência da vida. Marina Colasanti diz que a gente, "à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão".
"A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. [...] A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma."

Para ler o texto completo ou acesse Releituras.

Mantra do dia (plageando Titãs):
Não vou me acostumar!!!
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20.8.03
 
Nossa correspondente na Amazônia

Para quem quiser saber o que nossa correspondente na Amazônia Lise Luz faz enquanto não está uivando, basta clicar aqui: saúde e alegria!
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19.8.03
 
A primeira hora. Foram cinco.

Aos meninos que roubaram,
estupraram, seqüestram
e me tiraram a liberdade
- será que se arrependeram?

Eu nunca me arrependo do que faço
porque quando faço é com força
é por inteiro, é pro que der e vier,
eles também?

Não foi fácil se deixar beijar na boca
com uma arma apontada pra cabeça
não foi fácil ouvir minha voz gemendo,
e não era de prazer.

Nem foi fácil sentir o calor
daqueles corpos estranhos
que a despeito de tudo às vezes me aquecia
nem ouvir seus lamentos:
Eu era a pessoa errada.

No auge da adrenalina
roubo, seqüestro, estupro
revólver, celular, carro
e camisinha pra intimidar.

Mi doía toda de impotência
faltou coragem para dizer:
CHEGA! estou farta.
Se quiser me matar
mi matem
mas vou embora
estou, cansada!

"Si tiver dado a senha errada
a gente vai ti matar aqui mesmo"
Do auto da pedra
O mar em espumas, perguntava:
- tens medo de morrer?
R: eu gosto de viver!

(Marilda Marinho)
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18.8.03
 
Lobas: a rede

Nossa próxima reunião será no dia 25 de agosto, na toca da Loba Kitty. Entre um encontro e outro, nos preparamos para rever a Alcatéia, (re)lemos atenciosamente o capítulo a ser discutido, pensamos em dinâmicas a serem sugeridas, em comidinhas que iremos levar, em vinhos e cervejas que iremos tomar.
Uma imagem tecida por Virginia Woolf, saída da cabeça de Lady Millicent Bruton é uma boa metáfora da rede que se forma entre as Lobas e cujo fio parte de cada encontro para criar nós e pontos e laços entre nós. A cada conversa que entabulamos sobre o assunto com famílias, amigos e amores, restauramos o fio e estabelecemos outros pontos de apoio para a rede que nos une, fortalece, ampara.
A cada novo grupo que encontramos, mais força ganhamos. A cada quarta-feira a Mulher Selvagem ganha vida na Paella como te gusta, através do canto da Confraria das mulheres que correm com os lobos de Londrina.
O pensamento carinhoso, o cuidado com a/o outra/o, o encontro virtual, o telefonema convidando para um café da manhã ou um cinema, pequenas lembranças restituem o fio que nos liga à/aos querida/os.

Enquanto Richard Dalloway e Hugh Whitbread caminhavam por Londres, Lady Millicent Bruton deixava o pensamento vaguear: "E eles se iam afastando cada vez mais, e o delgado fio que os unia a ela (por havê-los convidado a almoçar) se ia estirando e adelgaçando, à medida que atravessavam Londres; como se o corpo de nossos amigos ficasse ligado ao nosso, depois de um almoço em comum, por um delgado fio (sonhava ela) que se turba com os sons que marcam a hora ou o início do trabalho, como a teia da aranha solitária se curva ao peso das gotas de água... Adormeceu." (Mrs. Dalloway, p. 109)
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15.8.03
 
Separar isso daquilo

A quarta e a quinta tarefas do terceiro capítulo - "Farejando os Fatos" - foram discutidas em roda.
Já a sexta tarefa - Separar isso daquilo - foi dirigida por duas Lobas. Kitty destacou pontos do texto e teceu relações importantes. Bethania sugeriu uma tarefa prática. Assim como fez Baba Yaga, a Loba nos disse que tudo pode ser revertido como alimento ou remédio para o corpo e a mente. Diante de uma situação vivida atualmente, deveríamos discernir uma coisa da outra, pontos positivos e negativos, o que pode ser revertido em nosso favor e o que deve ser arrojado ao lixo, o que nos auxilia em direção ao objetivo e o que nos tira de prumo. Deveríamos distinguir o milho mofado (o que nos incomoda, mas que pode vir a ser revertido) do milho bom (o que realmente vale a pena), em meio ao estrume (o que pode ser o terreno fértil para novas realizações) e às sementes de papoula (o que nos tira a lucidez).
Acredito que em situações que independem da nossa vontade para serem resolvidas, perceber a ação de cada elemento da história sobre nossas sensações diante dela pode ser de grande importância. Por que continuo casada, se não consigo respirar quando estou em casa? Por que continuo fazendo Engenharia, se sou viciada em Literatura? O que é mais importante para mim agora, continuar o francês ou começar o yoga?
Em caso de situações cuja solução se encontra nas nossas mãos, as soluções se esclarecem imediatamente.

Quando eu era adolescente e me via diante de um dilema, costumava desenhar uma tabela com uma e outra opção ou com prós e contras da história. Listava os itens que caracterizavam uma e outra face do problema-solução e dava pontos para cada um. No final, somava as colunas e voilá!

As mulheres são as rainhas das soluções! Uma muito inteligente é dormir. Dar tempo ao problema, ao dilema. É comum que ele se resolva lá pelos meandros do inconsciente, como quando a bonequinha de Vasalisa separava as sementes durante o sono da menina.
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14.8.03
 
A memória da Loba Andréa

As Lobas também têm um diário de papel gerenciado com muito carinho por Andréa, nossa memória. Nele, são anotados os lugares e datas dos encontros, a parte da matilha presente e o assunto discutido.



A reunião do último 12 de agosto reuniu nove Lobas na toca de Mariana: a menina da cozinha verde! Anfitriã perfeita, providenciou para que tudo estivesse lindo, mesmo não podendo deixar a redação antes das nove da noite. Havia chave com beijinhos na portaria, negociação efetuada com o boteco de Seu Zó - que figura! parece um sambista de morro carioca! - e uma superprodução de frutas, discos e delicadezas. Tomamos várias, conversamos um bocado e realizamos a sexta tarefa do terceiro capítulo (amanhã falo sobre isso...).

Afinal - isso é irresistível dizer - Rosana ofereceu duas poesias, uma de Elisa Lucinda, que fico devendo, e esta de Viviane Mosé:

"Vida / Tempo"

Eu acho que a vida anda passando a mão em mim
Eu acho que a vida anda passando a mão em mim
Eu acho que a vida anda passando
Acho que a vida anda passando
Acho que a vida anda
A vida anda em mim
A vida anda
Acho que há vida em mim
Há vida em mim
Anda passando
Acho que a vida anda passando
A vida anda passando a mão em mim
E por falar em sexo
Quem anda me comendo é o tempo
Se bem que já faz tempo
Mas eu escondia
Porque ele me pegava à força
E por trás
Até que um dia resolvi encará-lo de frente e disse
Tempo
Se você tem que me comer que seja com meu consentimento
E me olhando nos olhos
Eu acho que eu ganhei o tempo
De lá pra cá ele tem sido bom comigo
Dizem que ando até remoçando

Do CD encartado na Revista TRIP #83: "CEP 20.000 - O celeiro do underground carioca". Para ver mais sobre este movimento cultural, clique aqui.
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12.8.03
 
Será o nome de Clarissa Pinkola Estés homenagem a Virginia Woolf?

Clarissa: Mrs. Dalloway, Loba a quem afiaram as garras. Aos 52 anos de idade, Clarissa se olha no espelho e se vê. Quem a olha de volta tem a face marcada pela máscara com a qual a respeitável dama enfrenta a sociedade.
"Assim era Clarissa - tensa como um arco; definida."
Assim é cada mulher que teve a ligação corpo-mente-espírito comprometida. Diante da visão de todos os seus dias ali no espelho, Mrs. Dalloway não consegue conter a natureza selvagem que a espreita: "teve um súbito calafrio, como se, enquanto divagava, as garras geladas houvessem encontrado uma oportunidade de cravar-se em sua carne". Certamente, eram suas próprias garras... Longe do sol, do mundo, da vida, essa mulher essencial com a qual nascemos se congela, mas pode ser despertada.

A sensação de Clarissa Estés quando se apercebe da existência desse animal dentro de si é naturalmente aceita: "igual a muitas mulheres antes e depois de mim, passei minha vida como uma criatura disfarçada". Ela era surpreendida por traços da Loba que habitava a sombra da sua psique durante a infância, uma descoberta que parece lúdica: "minha cauda fabulosa muitas vezes aparecia por debaixo da bainha do vestido, e minhas orelhas se contorciam até meu chapéu sair do lugar, no mínimo cobrindo meus olhos e à vezes indo parar do outro lado da nave".
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8.8.03
 
Lua Cheia de Uivos

Na próxima Lua Cheia, dia 12 de agosto, data da entrada da Lua em Peixes, a Alcatéia pernambucana estará se reunindo na toca de Mariana.
Mariana, a Loba traça que devorou Mulheres que correm com os lobos em uma semana. Agora, seu grande prazer é lamber os ossos, roer as cartilagens, chupar o tutano deste grande livro: caleidoscópico reflexo de cada uma de nós.
Nessa reunião, cumpriremos tarefas indicadas no capítulo terceiro: Farejando os fatos.

As primeiras tarefas

Na última vez em que contamos com a presença física da Loba Lise, ela sugeriu uma atividade para vivenciarmos a primeira tarefa enfrentada por Vasalisa, a de permitir a morte da mãe boa demais. A deliciosa sugestão do nosso Broto do Norte foi uma dança circular executada com passos simples, mas que implicavam na confiança mútua. À medida que passávamos a acreditar na força das companheiras que apertavam nossas mãos, os passos iam se tornando mais firmes e largos. Os objetivos eram correr o risco de aprender uma nova coreografia longe do olhar protetor da mãe boa demais, do conhecido, do que terminaria bem com certeza; acreditar na própria capacidade e na do grupo; deixar morrerem os dogmas assim concebidos por Clarissa Pinkola Estés: "dogmas há muito aceitos que tornam a vida segura demais, que superprotegem, que fazem a mulher andar com passinhos rápidos em vez de com longas passadas".

A segunda tarefa, a de denunciar a natureza sombria, foi idealizada por Marilda, a Loba Reichiana. Sob orientação dela, trechos do livro foram sorteados, lidos, comentados e complementados pelo grupo. Compartilharmos impressões, percebermos afinidades/diferenças na interpretação individual e avançarmos na compreensão do texto. Entendermo-nos grupo para que não nos sintamos isoladas, este o objetivo principal desta tarefa.
Clarissa escreveu que a sociedade e a cultura nos colocam diante do dilema "de que ser nós mesmas faz com que nos isolemos de muitos outros e, entretanto, ceder aos desejos dos outros faz com que nos isolemos de nós mesmas". Entretanto, ao vermos outras mulheres na mesma situação de busca, a escolha entre os dois lados dessa 'tensão angustiante' torna-se menos dolorosa.

A terceira tarefa, navegar nas trevas, foi concebida por mim (Eva), a partir de duas idéias, a da emanação sagrada da boneca e a da semelhança entre boneca e menina. Pedi às Lobas que fizessem um projeto de boneca individual, que representasse não apenas um retrato presente de si mesmas, mas que servisse de projeto do que querem alcançar quando do despertar da natureza instintiva, da intuição, da Loba. A idéia era que cada uma tentasse sair do desenho, construindo sua boneca-talismã-calunga com os materiais que cada uma dominasse. Depois, a boneca passaria a ser uma espécie de ideal a ser alcançado.
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Mulheres que correm na net

Deixa eu contar pra vocês o que rolou em torno desta Alcatéia virtual...
Estava eu procurando nosso blog no Google, quando encontro um site chamado Correndo com Lobos (correndocomlobos.weblogger.terra.com.br). Entrei lá e encontrei uma figura de rara sensibilidade chamada Layla. Deixei um recadinho e ela entrou em contato.
Ela participa de um grupo de mulheres que correm com lobos em Londrina!!! A Confraria das que correm com os lobos!!! elas se reúnem nas primeiras quartas-feiras de cada mês para dançar, tocar, conversar, comer e beber no restaurante de uma delas, o Paella como te gusta. segundo Layra, nem todas as garotas leram Clarissa: "muitas sim, outras estão conhecendo agora...".
o encontro delas deve ser uma delícia, pois Layra conta que "tem sempre um arroz feito só por mulheres para comer, vinho para beber, dança para assistir... a gente também toca alguns instrumentos árabes, e tem uma senhora que é contadora de histórias que também faz a sua parte. enfim, um sarau de bruxas loucas! rs rs rs é, é um clima magnífico! especialmente nas noites chuvosas, como hoje..."

Ah! Tudo indica que Maceió também vai gerar um novo grupo a partir de Drica, uma arquiteta a quem apararam as garras... Rosana diria a Drica: "afie-as no asfalto, minha nega!!!"

Aguardamos notícias e a participação da matilha do Norte pela nossa correspondente especialíssima Lise Luz!!!
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5.8.03
 
Links com outras histórias

É incrível como a leitura de Mulheres que correm com os lobos nos leva a estabelecer infinitos links com histórias das nossas vidas e das mulheres do nosso entorno. É também incontível o desejo estabelecer relações com a literatura da qual já desfrutamos. Por exemplo...
Com a Virginia Woolf de "Um teto todo seu" e as comparações elocubradas acerca da irmã possível de Sheakespeare, privada de tempo-espaço para a criação literária, enquanto o irmão teria todos os recursos possíveis para o desenvolvimento da carreira de escritor...
Com Adélia Prado e a delicadeza da sua Dona Doida no trato com pessoas, natureza e letras em meio à vida simples e repleta de um amor aconchegante de casa, família e memórias...
Com Clarice Lispector em "Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres" (meu livro de cabeceira), quando Lóri se percebe acorrentada pelo medo de se libertar e viver, VIVER com alegria, entrega, prazer!!! Quando Lóri se percebe como um cavalo selvagem que desconhece o "movimento libertador" e que, por isso, se debate enlouquecido, num esforço imensamente maior do que seria o necessário se pudesse parar, sentir e decidir que partes do corpo deveriam se mover para livrá-lo das cordas...

Encontra-se disponível na Internet um texto que trata da mulher selvagem discutida por Clarissa Pinkola Estés e da mulher simples(mente) concebida por Cora Coralina. Experimentem!!!

A lista não deve parar por aqui. Quem quiser colaborar com outras histórias, entre em contato pelo laslobas@globo.com.
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1.8.03
 
Transformando o mundo com quadrados de papel

Dentre as Lobas do grupo pernambucano, três são craques em origami. Andréa Luna, Cláudia Rangel e Marilda Marinho ministram cursos e produzem peças origianis e delicadas na arte da dobradura. Cláudia escreveu uma breve definição para origami e produziu duas peças para expormos aqui.

Origami é...
Uma arte milenar japonesa desenvolvida entre os séculos VI e X no Extremo Oriente que consiste em dobrar e construir formas, caixas, flores, bichos, porta-retratos e enfeites em geral com simples pedaços de papel. Constitui interessante exercício de adestramento motor para todas as idades. O origami, no País do Sol Nascente, é usado em rituais e possui significados simbólicos. O sapo (kaeru), por exemplo, significa amor e fidelidade; a tartaruga, longevidade; o tsuru, ave símbolo do origami, tb chamada de grou, significa sorte, saúde e felicidade.

Um sapo é um sapo é um sapo é um sapo

Bem, também pode ser uma sapa...
Estava o/a sapo/a sozinho/a pensando à margem do riacho... pensando na estupidez dos homens e estirando a língua pra Bush... o/a sapo/a sempre foi a favor do same-sex marriage...



...foi quando apareceu a/o sapa/o mais charmosa/o que ele/a já havia encontrado. O/A sapo/a puxou conversa com a/o sapa/o e os dois perceberam que tinham a mesma impressão sobre o falso moralismo texano de Bush e estiraram a língua juntos...



... as línguas estiradas se tocaram e aconteceu o irrefreável...



...o beijo...
o beijo sem fim...
enfim,
o amor!



Dobraduras, produção e fotografias: Cláudia Rangel
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