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31.7.03
Noite de uivos
Os grupos pernambucano e amazonense das Lobas marcaram encontros sincronizados para hoje à noite. Sem nenhuma comunicação prévia, quem sabe as energias tenham sido catalisadas pela inauguração do blog. O fato é que estaremos nos reunindo pela primeira vez fora da toca de uma Loba. O encontro será no melhor boteco do Recife, o Burburinho. Enquanto isso, às margens da floresta, as Lobas da Amazônia, estarão se encontrando num lugar onde o sol nunca se põe. Fluidos etílicos hão de rolar, amigos virão nos ver e as conversas não terão fim...
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29.7.03
Para falar com Las Lobas
Para os que acharem o espaço reservado para comentários pequenino para o tanto a ser dito, criamos um e-mail especial: laslobas@globo.com.
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Link para a toca de uma Loba
A linda Loba Marilda estará ministrando Oficina de Criatividade e Consciência Corporal nos dias 23 e 30 de agosto de 2003 no Espaço Cultural Olinda, pertinho da Praça do Jacaré. A produção é de Marilda Marinho e André Dib. Mais informações clique aqui.
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28.7.03
Recolhendo os ossos...
No primeiro capítulo, a história que serve de ponto de partida é a de La Loba. Trata-se de uma mulher muito velha que mora no deserto e cuja ocupação é percorrer as planícies em busca de ossos. Ossos de todos os animais, mas, principalmente, ossos de lobos. Quando ela encontra a ossada completa de um lobo, ela monta o esqueleto, senta-se diante dele, olhando-o com muita atenção, até descobrir que canto o despertará. Ela o canta. Canta com muita força e fé. E os ossos começam a se recobrir de carne pele pelos. Surgem rabo, focinho, orelhas. O lobo respira, abre os olhos, corre. No meio da carreira, torna-se uma mulher, nua, livre, plena.
Quantos ossos se perderam ao longo dos nossos caminhos? Esta é uma pergunta que se responde em dois níveis, dois caminhos paralelos, o coletivo da civilização e o da formação individual.
A natureza selvagem da mulher vem sendo devastada, preterida como se racionalidade e percepção se excluíssem inexoravelmente. Natureza selvagem, no sentido da confiança das mulheres na intuição, coragem, criatividade próprias e na sua capacidade para a auto-suficiência.
Além disso, cada uma de nós passou (passa e passará) pelo crivo de diversas instituições, cada uma delas definindo aspectos das vidas das mulheres. Família, escola, igreja, emprego... inúmeros estereótipos, regras, tradições, modelos a serem seguidos. Quanta espontaneidade perdida no percurso de nossas vidas! Quanto esforço desperdiçado na tentativa de enquadramento nos padrões de beleza, comportamento, inteligência apropriados às boas meninas!
A tarefa sugerida a mim por esta parte do livro é justamente farejar e encontrar nossos ossos inteiros e partidos perdidos ao longo da caminhada.
Encontrados os restos do que há de mais resistente no ser humano, os ossos-alma, há que se reconstituir / reconstruir o esqueleto da loba que habita cada mulher, a Mulher Selvagem original, a Eva essencial.
Diante da montagem dos pedacinhos de alma (re)encontrados, escolheremos o canto cuja força irá despertar a corrida, o encontro da alma com sua própria integridade, com as possibilidades infinitas, com a liberdade, com a lucidez...
A escolha do canto parte da necessidade, dos desejos, da vida sonhada e do potencial criativo de cada uma de nós.
Nascemos inteiras, dotadas de fala, discernimento, tesão, força, beleza, sensibilidade... Acredito que seja um passo importante refazer o caminho que nos trouxe até aqui, seguindo a trilha de ossos, como João e Maria fizeram com as pedrinhas...
"Como donzela-megera, ela (a Mulher Selvagem) nos revela o que significa ser, não ressecada, mas enrugada. Os bebês nascem enrugados de instinto. Eles sabem do fundo dos ossos o que é certo e o que deve ser feito. É inato. Se uma mulher conseguir manter esse dom de ser velha quando jovem e jovem quando velha, ela sempre saberá o que vê, depois. Se ela tiver perdido esse dom, ainda poderá recuperá-lo com algum exercício psíquico deliberado."
Clarissa Pinkola Estés
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Idiossincrasias...
Cada uma de nós vive a experiência da leitura de Mulheres que Correm com os Lobos de forma única e especial. Eu só posso falar da minha leitura. Cada Loba terá pontos de vista e idéias de dinâmicas para o grupo diferentes dos meus.
A cada capítulo, tarefas surgiam naturalmente, podendo ser realizadas individual ou coletivamente, ou ainda, num movimento de dentro para fora. A vontade de discutir o que estamos vivendo em contato com o livro, conosco e com o mundo, com tudo o que esteve obnublado durante nossas vidas chega a ser chocante...
Clarissa Pinkola Estés é fruto da confluência entre duas tradições de contadoras (en)cantadoras de histórias, uma européia e outra mexicana. A cada capítulo, um conto é cantado e desmistificado à luz da teoria de Carl Jung. Símbolos contidos nos cantos, elementos da psique feminina, comportamentos que se replicam geração após geração, são alguns dos tópicos abordados pela autora.
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Pra início de conversa...
Em primeiro lugar, permitam-me apresentar-nos. Somos um grupo de mulheres. Sim, só mulheres. Somos o núcleo de uma imensa alcatéia de gêneros, etnias, idades e procedências. No entorno vivem nossas famílias, amores e amigos. Temos em comum o desejo irrefreado de sermos felizes e livres. Ansiamos por vidas plenas de criatividade e amor. Nossas frequentes discussões têm como pontos de partida nossas experiências, nossos sonhos e o livro "Mulheres que Correm com os Lobos", de Clarissa Pinkola Estés.
Existem em todo o mundo grupos de mulheres (alguns envolvem também homens) que surgem espontaneamente a fim de tornar ainda mais rica a experiência da leitura deste livro. A amizade que começa a surgir ou a ser reforçada entre as mulheres que compõem esses grupos é de enorme profundidade e beleza.
Do nosso grupo, que vem se reunindo há poucos meses, já surgiu um outro no Pará, fruto de um ramo nosso que frutificou: Lise Luz.
Lemos o livro, criamos dinâmicas, tarefas, jogos de palavras e nos encontramos geralmente na toca de uma das Lobas. Levamos comes e bebes, músicas, perfumes, coreografias, poesias... Comemos, bebemos, brincamos, desenhamos, trocamos atenções, elogios, carinhos, dicas... São encontros delicados, deliciosos.
A missão mais importante para as Lobas pode ser também muito lenta e dolorosa: encontrar os pedaços arrancados de nós pelas instituições através das quais tivemos de passar... domesticadas, aparadas as garras, tornadas boazinhas...
"Todos nós começamos como um feixe de ossos perdido em algum ponto no deserto, um esqueleto desmantelado que jaz debaixo da areia. É nossa responsabilidade recuperar suas partes."
Clarissa Pinkola Estés.
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